O Sabonete
 

Um jovem pobre, casado a alguns anos, vestido e calçado de forma humilde, entra na loja, escolhe um sabonete comum e pede ao proprietário que o embrulhe para presente.
- É para minha esposa - diz, com orgulho.
O dono da loja ficou comovido diante da singeleza daquele presente. Olhou com piedade para o seu freguês e, sentindo uma grande compaixão, teve vontade de ajudá-lo. Pensou que poderia embrulhar, junto com o sabonete comum, algum artigo mais significativo. Entretanto, indeciso, ora olhava para o jovem, ora para os artigos que tinha em sua loja. Devia ou não fazer? O coração dizia sim, a mente dizia não.
O jovem, notando a indecisão do homem, pensou que ele estivesse duvidando de sua capacidade de pagar. Colocou a mão no bolso, retirou as moedinhas que dispunha e as colocou sobre o balcão. O homem ficou ainda mais comovido quando viu as moedas, de valor tão insignificante. Continuava seu conflito mental. Lembrou de sua própria ex-esposa. Fora pobre e, muitas vezes, em seu casamento, também desejara presentear sua ex-esposa.
Quando conseguiu um bom emprego, ela já não estava mais com ele. O jovem, com aquele gesto, estava mexendo na profundeza de seus sentimentos. Do outro lado do balcão, o jovem começou a ficar ansioso. Alguma coisa parecia estar errada. Por que o homem não embrulhava logo o sabonete? Impaciente, ele perguntou:
- Moço, está faltando alguma coisa?
- Não - respondeu o proprietário da loja - é que, de repente, me lembrei de minha ex-esposa, que morreu quando ainda estávamos muito jovens. Sempre quis dar um presente para ela mas, desempregado, nunca consegui comprar nada.
Na espontaneidade, perguntou o jovem:
- Nem um sabonete?
O homem se calou. Refletiu um pouco e desistiu da idéia de melhorar o presente do jovem. Embrulhou o sabonete com o melhor papel que tinha na loja, colocou uma fita e despachou o freguês, sem responder mais nada.
A sós, pôs-se a pensar. Como é que nunca pensara em dar algo tão pequeno e simples para sua ex-mulher? Sempre entendera que presente tinha que ser alguma coisa significativa, tanto assim que, minutos antes, sentira piedade da singela compra, e pensara em melhorar o presente daquele jovem. Comovido, entendeu que, naquele dia, tinha recebido uma grande lição. Junto com o sabonete do jovem, seguia algo mais importante e grandioso, o melhor de todos os presentes: o gesto de amor!

 

(Autor Desconhecido - Adaptado por NUVDADD)